Acidentes

17/12/2008 – 10h17

Quedas são maior causa de traumas de coluna no Brasil

FLÁVIA MANTOVANI
da Folha de S.Paulo

Uma pesquisa feita na Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) mostra que os traumas de coluna, que freqüentemente geram seqüelas irreversíveis e podem levar à morte, são causadas principalmente por quedas –a maioria delas, de idosos.

A professora de enfermagem Vanessa Tuono Jardim, do Cefet (Centro Federal de Educação Tecnológica) de Santa Catarina, pesquisou dados sobre internações hospitalares no SUS (Sistema Único de Saúde) de 2000 a 2005. Em 40% dos casos, o trauma havia sido causado por quedas. Em segundo lugar vêm os acidentes de trânsito, que representam 23% das internações, seguidos de outros acidentes (20%) e das tentativas de homicídio, com 6%.

“Ficamos surpresos pelo fato de a maioria das quedas que geram traumas ser da própria altura [quando a pessoa não cai de uma altura maior] e afetar pessoas na faixa dos 70 anos”, ressalta Jardim.

Enquanto a taxa de internação por quedas foi de 14,8 para cada 100 mil habitantes nas mulheres com idade de 70 a 79 anos, o número foi de 2,1 em mulheres com idade entre 20 e 29 anos. No caso dos homens, esse índice foi de 13,9 nos mais velhos e de 7,1 nos mais jovens.

A diferença entre homens e mulheres aumenta após os 80 anos –elas são mais vulneráveis à osteoporose. “Piso muito liso, fios atravessados, pequenas coisas geram quedas. É preciso tornar a casa segura para os idosos”, diz Fernando Façanha Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Coluna.

Acidentes com trabalhadores da construção civil também estão entre os grandes motivos de queda, e respondem por 10% dos acidentes que afetam a região cervical –os mais graves.

Apesar de as quedas afetarem mais pessoas idosas, a conclusão da pesquisa é que, em geral, o trauma atinge mais homens de idade entre 20 e 29 anos. “São jovens no auge da sua produtividade, que costumam ficar com seqüelas muito graves”, diz Jardim. Do total de internados por trauma em 2005, 3,9% morreram.

Um problema que afeta muitos pacientes jovens é a lesão por mergulho em águas rasas, responsável por 12% dos traumas por quedas. O hábito aumenta muito nesta época do ano. “É um problema absolutamente sazonal. E costuma estar associado ao consumo de álcool”, afirma Façanha Filho, que recomenda sempre verificar a profundidade do local antes de mergulhar de cabeça.

No período estudado, a taxa de internações por traumas de coluna aumentou 52,7%: passou de 15 para 22,9 casos em cada 100 mil habitantes. O fenômeno acompanhou o crescimento nas internações por causas externas em geral (eventos não naturais). “Os acidentes de trânsito e a violência aumentaram no período. Com isso, há também mais traumas”, diz.

Os traumas de coluna representam cerca de 3% das internações por causas externas. São cerca de 20 mil internações por ano. O dado é semelhante ao reportado em estudos feitos nos EUA, mas a quantidade de internações por trauma é mais alta do que a de países como a Alemanha, diz Jardim.

Traumas mais comuns

O levantamento também mostrou quais são os traumas mais comuns. Na maioria dos casos, a região atingida é a lombo-sacral, na base da coluna, que tem as conseqüências menos graves. Quase 30% das internações se deram por fratura na coluna cervical –nesse caso, a pessoa pode ficar tetraplégica. “Devido à mobilidade do pescoço, as vértebras nessa região são mais finas e a fragilidade da medula é maior. Quanto mais alto é o trauma, mais grave é a seqüela”, diz Jardim.

Traumas que atingem a medula são os que têm mais chance de seqüelas graves e de morte: em média, 16% dos traumas atingiram essa estrutura do sistema nervoso central.

Jardim diz que, apesar de estudos com células-tronco estarem sendo feitos para tentar reabilitar a medula, muitas vezes não há o que fazer. “Causas externas são previsíveis e preveníveis. O importante é evitar que o trauma ocorra”, diz.

Entre as medidas preventivas, ela cita a proteção aos trabalhadores da construção civil, as campanhas para uso de cinto de segurança e o controle de velocidade no trânsito.

There are no comments on this post.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: