Em 2030, 7 em cada 10 mortes serão causadas por doenças não infecciosas

11/11/2010 – 16h38

DA EFE

Em 2030, sete em cada dez mortes no mundo serão causadas por doenças não infecciosas, como as crônicas, avalia a revista médica “The Lancet” em uma série de trabalhos sobre o tema.

Há atualmente nos países pobres e de nível médio muitas possibilidades para intervenção eficaz, mas a fraqueza de seus sistemas de saúde impossibilita fazer frente ao desafio crescente dessas doenças.

Cerca de 23 milhões de mortes por doenças crônicas – número que representa 60% das vítimas anuais por esse tipo de enfermidades em todo o mundo – se concentram em 23 destes países. E seis em cada dez dessas mortes são de pessoas de 70 anos ou menos.

Os elevados índices de tabagismo em homens desses países – que incluem a Rússia, com 65%, e a China, com 57% – revelam a falta de controle, indica um dos trabalhos que fazem parte da série sobre doenças crônicas e desenvolvimento da revista médica britânica.

Entre as medidas propostas, além da proteção aos fumantes passivos do perigo do tabaco e da proibição tanto da publicidade desse produto como do patrocínio de empresas do setor a eventos esportivos, está o aumento dos impostos.

O sobrepeso e a obesidade também constituem problemas graves, sendo os mais afetados a Argentina, com 74% dos homens neste grupo, e o Egito, com 74% das mulheres.

De acordo com os autores do estudo, em 14 desses países os índices de doenças infecciosas terão redução de 2% anualmente nos próximos 40 anos, enquanto os casos de câncer terão crescimento anual de 1,1% e os de doenças vasculares, de 0,7%.

Outro trabalho da série da “The Lancet” analisa as estratégias frente os fatores de risco de obesidade em seis países emergentes – Brasil, México, China, Índia, Rússia e África do Sul – e um desenvolvido – Reino Unido.

Em todos os sete, a obesidade e as doenças crônicas a ela relacionadas constituem um grave problema. Sete de cada dez adultos mexicanos são obesos ou têm excesso de peso, enquanto a China tem, com 92 milhões de casos, os mesmos índices de diabetes dos Estados Unidos.

Os casos de obesidade triplicaram entre os homens no Brasil e dobraram entre as mulheres.

Para combater o problema, o estudo propõe campanhas de promoção da saúde na imprensa, impostos e subsídios destinados a incentivar o consumo de alimentos mais saudáveis, regulação da publicidade dos alimentos destinados a crianças e um sistema de etiquetas obrigatórias que indicassem os níveis de açúcar e sal de cada produto.

Em um comentário que acompanha a série de trabalhos, o estudo adverte que se o Governo fizer pouco caso das ameaças das quatro doenças crônicas mais preocupantes -câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas – “as pessoas sadias serão minoria, as crianças doentes morrerão antes de seus pais e os sistemas de saúde não darão conta”.

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