Regulamentação

ENTREVISTA DO DR. WU TOU KWANG AO JORNAL DA ACUPUNTURA

O Jornal da Acupuntura, em edição especial, publica hoje uma entrevista reveladora e exclusiva com o médico acupunturista Dr. Wu Tou Kwang, um dos pioneiros da acupuntura no Brasil. Imigrante chinês, radicado no Brasil desde 1961, e neste ano de 2007, foi homenageado pelo município de S. Paulo como cidadão honorário. Dr. Wu tornou-se um dos grandes expoentes na campanha pela regulamentação da acupuntura multidisciplinar no país.

Wu Tou Kwang, cirurgião vascular e radiologia intervencionista do Hospital das Clínicas da FMUSP, 1o. aluno no vestibular e na formatura da FMUSP, ex-presidente fundador da ABREFLOR, ex-presidente fundador da ANAMO, presidente da ABRAD e da ABRAPHYTO, presidente do CONBRAC e da FENAC, presidente emérito do SATOSP, membro honorário da ABA e da ABACO, diretor do CEATA.

Devido à sua participação em Audiências Públicas no Senado, na Câmara Municipal de S. Paulo, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais e de S. Paulo, tem sido perseguido desde 1996 pela SMBA e AMBA, com denúncias repetitivas no CFM propostas por diretores e correligionários. Responde atualmente a 9 sindicäncias resultando em 4 processos “éticos”. Apesar da perseguição cerrada, Dr. Wu continua na luta, e está processando o CFM e a SMBA na Justiça Federal.

1. Em 3/5/2006, após seis anos de discussão no CNS, o Ministério da Saúde publicou a histórica Portaria 971 que vêm oficializar e materializar a prática multiprofissional da Acupuntura, da Fitoterapia e Homeopatia por todos os profissionais da área de saúde que se pós-graduaram em tais práticas. O que significa a 971 para a luta por uma Acupuntura multiprofissional, e quais são seus pontos fracos, em sua opinião?

Foi uma grande vitória! Os médicos acupunturistas vêm tentando bloquear a aplicação da Acupuntura por outros profissionais desde 1988, através da Resolução CIPLAN. Os médicos homeopatas vêm tentando monopolizar a homeopatia desde 1982. Ambos vêm sendo derrotados ao longo dos anos na Justiça Estadual, na Justiça Federal e no Ministério Público. A Portaria 971 apenas vem coroar esta nossa campanha árdua de 20 anos em defesa da Acupuntura e das Terapias Naturais.
Esta Portaria não caiu de repente do céu. Foram muitas batalhas, com vitórias e derrotas. Os médicos estão alegando que foram surpreendidos e traídos. Na verdade, perderam. No CNS foi discutida exaustivamente a implantação das Terapias Naturais para beneficiar o povo. Os médicos obstruíam as pautas. Agora  que perderam, querem entrar com ação judicial, acionar Ministério Público, alegar inconstitucionalidade, dizer que o povo será mal atendido, que será uma medicina pobre para atender aos pobres do país… Tudo isso discurso dos derrotados. Além disso, estão perseguindo a médica Carmem de Simoni, que participou da elaboração da Portaria 971.

A Portaria 971 foi muito estudada, o CNS e o Ministério da Saúde não iriam soltar um texto qualquer com pontos fracos. Como qualquer lei ou portaria, o texto é genérico. A regulamentação e a implantação cabem às unidades que atendem o SUS, seja particular, municipal, estadual ou federal. Por isso, os profissionais de saúde precisam estar atentos, os médicos vão continuar boicotando, atrapalhando, obstruindo. Não vão se entregar facilmente, afinal, é muito dinheiro em jogo. Há interesses em dominar os doentes, há interesses da indústria em vender remédios!

2. Em sua opinião, por que o CFM posicionou-se contra a Portaria 971?

Há alguns médicos que se julgam donos do saber e argumentam que os outros profissionais de saúde têm tido formação deficiente…

Ninguém quer perder o status de ser os únicos donos do mercado de doentes do país, ninguém quer perder o acesso a quase toda a verba do Ministério da Saúde, ninguém quer perder os patrocínios e brindes da indústria farmacêutica… No fundo, estas considerações se aplicam a todas as áreas profissionais e a todas as atividades humanas.

3. Após a Portaria 971, como ficará a situação legal da prática da Acupuntura no Brasil?Já tínhamos sentenças favoráveis da Justiça. Agora temos um documento do Ministério da Saúde. Dá para esfregar na cara dos médicos acupunturistas e dos jornalistas tendenciosos quando falarem alguma mentira. Conseguimos até uma retratação do Globo Repórter. Antes não conseguiríamos tal façanha!

 

Entretanto, não podemos ficar parados. Os médicos acupunturistas da SMBA e AMBA não se consideram vencidos, estão dando contragolpes através do Projeto de Lei do Ato Médico, e estão tentando ilegalmente fechar consultórios de acupunturistas através da Vigilância Sanitária.

 4. O senhor acredita que um dia médicos e Acupunturistas possam viver harmonicamente como hoje vivem Ortopedistas e Fisioterapeutas ou Psiquiatras e Psicólogos?

Quero deixar bem claro, não estão vivendo harmonicamente os ortopedistas e fisioterapeutas, nem psiquiatras e psicólogos. Os fisioterapeutas são empregados dos ortopedistas, os psicólogos são considerados subordinados pelos psiquiatras. Sempre vai haver conflitos. É briga pelo dinheiro e pelo poder, isto é um problema eterno dos seres humanos. Os médicos brigam entre si, só que estão unidos contra todos os outros profissionais de saúde. E os acupunturistas disputam pacientes entre si, brigam com médicos, e brigam com outros profissionais de saúde…

5. O que ainda precisa efetivamente ser feito, em sua opinião, para unir e organizar melhor os Acupunturistas? Jogar fora ego e ganância. Trabalhar de forma abnegada para difundir a acupuntura de modo que o povo tenha acesso. Assim, em vez de ficar fundando sindicatos e associações só para encher as vaidades e arrecadar dinheiro, ou ficar fazendo discursos vazios contra médicos, contra escolas, contra concorrentes, é melhor fortalecer as entidades legalizadas já existentes, participar ativamente das atividades e pagar suas anuidades. Caso houver críticas ou sugestões, faça dentro das reuniões. Caso não concordar, derrube a diretoria.

 

As entidades da área estão todas fracas, sem pessoas para ajudar, sem dinheiro. Os acupunturistas em geral entram, pagam uma anuidade, não participam, não pagam as outras anuidades, e ficam exigindo que as diretorias derrubem os médicos, abram os mercados, quebrem a tendenciosidade dos convênios médicos.

Caso continuarem assim, vamos perder a guerra. Vamos perder na Justiça, vamos perder na tramitação dos projetos de regulamentação da Acupuntura, vamos perder do Ato Médico, vamos perder da Vigilância Sanitária.

6. Em relação ao resto do mundo, o Brasil inovou quando criou a profissão de “técnico de Acupuntura”. Algumas secretarias estaduais de educação acabaram reconhecendo estes cursos técnicos. Para o senhor, qual é a real diferença, na prática, entre um acupunturista puro, um médico acupunturista, um técnico de acupuntura e um profissional da área de saúde especializado em Acupuntura?

Não inovou nada. Apenas mais um nome. Em termos de acupuntura, todos os profissionais são iguais. O que diferem os acupunturistas entre si é a formação na área de saúde, a educação e a cultura geral. Não há nenhuma lei regulamentando Acupuntura no Brasil. Enquanto isso, todos podem atuar livremente, até os picaretas.

Entretanto, é importante o técnico de acupuntura, que não tem curso superior na área de saúde, estudar mais anatomia, fisiologia, patologia etc. É importante em todas as profissões que as pessoas procurem se aprimorar continuamente. E o mais importante é ter consciência de seus próprios limites, saber desistir, reconhecer as falhas, encaminhar casos difíceis ou solicitar opiniões…

7. O senhor sempre foi um grande defensor da acupuntura para o nível técnico (nível médio de educação) e um grande estimulador da criação de associações profissionais de Acupuntura. Qual é o objetivo dos Conselhos Regionais de Auto-Regulamentação de Acupuntura (CRAs) que o senhor criou? E qual o valor oficial do trabalho desenvolvido nesses CRAs?

Como Acupuntura e Terapias Naturais são técnicas simples, econômicas e eficientes, julgo que podem ser ensinadas a qualquer pessoa, inclusive os doentes. Na verdade, quem se cura é o próprio paciente. Somos apenas facilitadores. Tenho estimulado criar associações de acupuntura para unir os profissionais e se defender dos ataques dos médicos acupunturistas radicais.

Os Conselhos de Autorregulamentação surgiram em 2000 por solicitação do ex-presidente da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, Dr. Gonçalo Vecina Neto,  por ocasião das visitas sobre a Carta Consulta N.o 85, proposta sorrateiramente pelos médicos. Foi considerada a questão de como os seus fiscais vão reconhecer os profissionais habilitados. Segundo Dr. Gonçalo Vecina Neto, não pode ser associação nem sindicato, e precisa ser uma entidade acima de todas as escolas e tendências.

Em 2000, os médicos fundaram o Colégio Médico de Acupuntura para conceder TEAc (Título de Especialista em Acupuntura) para médicos através de provas. Para contrabalançar esta iniciativa, tivemos que fundar alguma entidade que também forneça títulos. Assim surgiu o CONBRAC.

Para expandir, tivemos que fundar CRAs. Entretanto, como é auto-regulamentação, não têm força de obrigar os acupunturistas a fazerem provas. Nem pode correr atrás daqueles que pagam a 1a. anuidade, pegam a carteirinha e o título, e não pagam outras anuidades. Infelizmente foi a maioria. Quanto aos CRAs, um deles foi usado para promoção de uma escola e do seu proprietário. Não temos também como resolver isso sem dinheiro ou advogado, e sem participação dos acupunturistas daquele Estado.

8. Uma das críticas de alguns de seus colegas médicos é que a Acupuntura quando praticada por um profissional que não seja médico pode expor o paciente a riscos de vida desnecessários pelo fato do paciente ser tratado do que pode ser um sintoma de uma doença grave que necessita identificação imediata para que a vida seja salva. O senhor acredita que os técnicos de Acupuntura, que estão sendo formados em todo o Brasil atualmente, têm condição de diagnosticar energeticamente e diferenciar uma simples indigestão ou uma algia de ombro de um infarto agudo do miocárdio? Ou mesmo uma simples gastrite de um câncer do estômago?

Os chineses praticam Acupuntura com sucesso há 3.000 anos, muito antes de haver estes diagnósticos médicos ocidentais, e com muito sucesso. Convenceram até os médicos do ocidente a aderir à acupuntura. Os médicos gostaram tanto que até tentaram monopolizar a técnica.

Portanto, para praticar boa Acupuntura, não são necessários tais diagnósticos médicos. Entretanto, como bons profissionais, todos precisam conhecer os avanços tecnológicos, ter boa cultura geral, conhecer bem as ciências biológicas (anatomia, fisiologia, bioquímica, genética, embriologia, patologia etc.). É importante saber os nomes das doenças e seus tratamentos químicos ou cirúrgicos.

Os pacientes vêm com pacotes de exames e diagnósticos, os bons profissionais precisam conhecê-los até para orientar melhor seus pacientes ou conduzir melhor os tratamentos. Assim, os bons acupunturistas precisam estudar muito o corpo humano. E acima disso, saber seus limites. Ao descobrir no paciente indícios de distúrbios graves, encaminhá-lo para mais exames, para outros profissionais opinarem, ou para Pronto-Socorro onde haja melhores condições de atendimento intensivo. Acredito que os bons acupunturistas têm plenas condições de reconhecer a gravidade dos quadros clínicos.

9. O termo “não-médico” vem sendo utilizado frequentemente pelo CFM, pela AMB, pela FENAM, e  por vários profissionais médicos, para se referirem aos profissionais da área de saúde que exercem alguma forma de prática terapêutica, como é o caso da Acupuntura e das Terapias Integrativas e Complementares. Tal termo é reconhecido por nossos leitores como pejorativo e discriminatório. Os técnicos de Acupuntura vêm recentemente discutindo acerca desse tema e alguns querem ser chamados de médicos tradicionais chineses ou mesmo médicos orientais. O que o senhor acha dessa mudança de status denominativo da profissão de “técnico de acupuntura”?

Existem leis muito claras sobre quem pode ostentar o termo “médico”. Assim, é melhor não confrontar as leis. É melhor usar os termos acupunturistas ou terapeutas orientais. Os termos “não médico” ou “paramédico” já foram discutidos em seminários e congressos há vários anos. E já concluíram pelo uso do termo “profissional de saúde”. É melhor não perder mais tempo. Vamos chamar a todos profissionais de saúde. É melhor batalhar e mostrar para a população que os profissionais de saúde são tão importantes quanto os médicos. Sem eles, toda a estrutura de atendimento médico hospitalar desmorona. O número de erros médicos aumentará muito mais.

10. O senhor não acha que a reação que o CFM, AMB, FENAM e alguns médicos tiveram na imprensa em relação à Portaria 971 do Ministério da Saúde foi impensada e emocional, o que coloca sob suspeição a credibilidade dessas instituições, ao transparecer que os médicos só estão interessados em reservar mercado para si, não se preocupando de fato com novas maneiras de promover a saúde dos usuários do SUS e da população menos favorecida?

Não foi nada impensada nem emocional. Tentam aparecer para o público como coitadinhos, como se tivessem sido enganados, surpreendidos e traídos no Conselho Nacional de Saúde e no Ministério da Saúde. Alegam inclusive que estão com menor número de representantes no Conselho Nacional de Saúde e isso, para eles, é um absurdo. Afinal, os médicos são os donos do saber e da saúde.

As ações do CFM, AMB e FENAM fazem parte de uma estratégia global. Querem derrubar a Portaria 971, querem enquadrar todos os profissionais de Saúde através do projeto de lei do Ato Médico (PLS 25/02 e PLS 268/02, que entraram na Câmara como PL 7703/06). As questões relativas à Acupuntura, Homeopatia e Fitoterapia existem há pelo menos 25 anos no Brasil. As entidades médicas têm vindo bloquear tudo, sempre com os mesmos argumentos:

a) As técnicas não têm comprovação científica – só que os médicos não pesquisam, ignoram completamente as técnicas naturais complementares. São pesquisas que não rendem patrocínios. Os fitoterápicos e homeopáticos são muito baratos e não possibilitam patente industrial. E o pior, os médicos não permitem que outros profissionais pesquisem. São donos das verbas, dos patrocínios, dos cargos diretivos, dos ambulatórios e hospitais, e não vão compartilhar com outros profissionais.

b) O monopólio pertence aos médicos – nos casos de Acupuntura, que acabou ganhando status científico, e da homeopatia, que virou especialidade acidentalmente, os médicos querem o monopólio total. Os argumentos no caso da Acupuntura são sempre os mesmos, precisa de diagnóstico médico, as agulhas são perigosas, os acupunturistas são leigos em anatomia e fisiologia etc. Só que se esquecem propositalmente de que 90% dos acupunturistas são profissionais de saúde de nível superior, fisioterapeutas, enfermeiras, farmacêuticos, fonoaudiólogos, educadores físicos, biomédicos, e todos tiveram anatomia e fisiologia. No país, atualmente existem 50.000 acupunturistas para 10.000 médicos acupunturistas.

c) Nos casos da homeopatia e fitoterapia, argumentam que os pacientes precisam de diagnósticos médicos, que a prescrição pertence exclusivamente aos médicos, que tais remédios ou são placebos ou podem ser perigosos, que os “leigos” não conhecem anatomia, fisiologia, patologia etc. Vocês sabem que existe há muitos anos uma Associação Brasileira de Homeopatia Popular, mantida por religiosos, divulgada com jornaizinhos, enfrentando processos judiciais promovidos por médicos? Existe sim. E hoje a Justiça já decidiu, a homeopatia pode ser exercida por outros profissionais. Atualmente, apesar da pressão dos médicos homeopatas, a Universidade Federal de Viçosa tem oferecido cursos de Homeopatia aberto a todos os interessados.

 

11. Há 30 anos atrás nenhum médico sequer admitia exercer a Acupuntura, massagem, limpeza de pele, prescrever plantas medicinais, mapa astral ou dar palpites na ginástica de seus pacientes. Agora assistimos exatamente uma tendência oposta. Hoje alguns médicos lutam para extinguir os profissionais de todas essas áreas e ainda amedrontam a população em relação aos riscos que possam sofrer escolhendo se tratar com tais profissionais. O que o senhor pensa disso?

Existem médicos demais (acima da proporção indicada pela OMS de 1 médico para cada 1.000 habitantes), todos concentrados nas grandes cidades. Há muita disputa pelos clientes. Acupuntura, Homeopatia e Fitoterapia abrem novos mercados lucrativos. É simplesmente uma disputa pelo mercado.

12. Além do senhor quais são os médicos que lutam por uma Acupuntura multiprofissional no Brasil de hoje?

Há outros médicos que apóiam a nossa causa. Não são muitos. Entretanto, o único que mostra a cara e gasta dinheiro na campanha sou eu. Por isso, a SMBA e o CFM concentram em mim nove sindicâncias e quatro Processos Éticos, e me condenaram à Censura Pública desobedecendo a uma liminar suspensiva da Justiça Federal. Dos outros médicos, apenas um foi processado.

13. Nas viagem à China de 2006 e 2007, o que o senhor viu de novidade? 1) Acupuntura Abdominal – descoberta há 20 anos na China, agora virou moda. É uma técnica segura, fácil, simples, rápida e indolor. Afinal a parede abdominal é meio fofinha, principalmente nos gordos. Dá para tratar tudo colocando agulhas no abdome, AVE, reumatismo, tendinite, cefaléia etc.

 

2) Os pacientes estão pagando os tratamentos, e assim, os acupunturistas estão caprichando, disputando clientes. Antes, colocavam algumas agulhas, manipulavam intensamente, e só… Hoje, fazem no mesmo paciente ventosa, moxa, Acupuntura Geral, Craniopuntura, Abdominal, e se for necessário, Auriculoterapia. Tudo para cercar todas as possibilidades e segurar a clientela.

3) Não posso dizer se seria novidade, mas vi acupunturistas fazendo uma super-moxa nas costas das pessoas. Botam algumas toalhas úmidas, por exemplo, na região lombar, depois uma toalha umedecida com álcool, e bota fogo…

14. No início das profissões de dentista, fisioterapeuta, psicólogo e fonoaudiólogo, houve muita discussão com os profissionais médicos pelo campo de atuação de cada uma dessas novas carreiras. O mesmo acontece agora com a Acupuntura. Hoje a maioria das profissões de saúde tem suas próprias faculdades. A criação então de uma faculdade de Acupuntura não acabaria com grande parte dessa briga, como já aconteceu no passado?

Todos sabem da importância em criar uma faculdade. Só que os acupunturistas não têm dinheiro. É muito caro fundar uma faculdade, só para dar entrada no projeto e fazer acompanhamento com algumas propinas, os lobbistas cobram R$ 100.000,00. E só garantem algum êxito caso a futura faculdade tenha apoio político. Afinal, faculdades e universidades são concessões do governo, e todos sabem que tais entidades de ensino ganham muita grana, embora todos sejam considerados entidades sem fins lucrativos e ganham isenções tributárias. E, além de tudo isso, quem deseja criar faculdade de Acupuntura vai enfrentar a ira dos médicos, que farão de tudo para sabotar tais iniciativas nos Conselhos de Educação e no MEC.
Desde 1992, têm surgido cursos de pós-graduação latu-sensu de Acupuntura, patrocinado ou apoiado por algumas instituições de ensino superior.

Hoje, existem muitas universidades e centros universitários explorando cursos superiores, acredito que no momento que seus donos perceberem haver demanda por cursos de acupuntura, vão surgir cursos de graduação de nível superior. Todos desejam ganhar dinheiro. E a partir daí, vão engolir todos os cursos livres e técnicos. Enfim, os acupunturistas batalham durante anos e vão entregar tudo de mão beijada aos comerciantes…

Houve uma tentativa da Universidade Estácio de Sá de criar um curso superior de Acupuntura e Shiatsuterapia. Por pressão do CRM e por interesse da Universidade Estácio de Sá em abrir um curso de medicina, tal curso acabou extinto. Chegaram a oferecer bolsas integrais para os alunos mudarem para outros cursos da área de saúde, entretanto, dezoito alunos persistiram até o fim e conseguiram os diplomas de Acupuntura em 2002.

 

15. O projeto do Ato Médico, que tramita hoje no Senado Federal, promete atingir em cheio dois pilares conquistados a duras penas pelos profissionais e usuários do sistema de saúde: a liberdade de exercício profissional e a liberdade de escolha do paciente. O que o senhor tem a dizer sobre esse projeto, como ele se encontra atualmente e o que deveria ser alterado nele?

Precisamos deixar claro que não somos contra a lei que define o Ato Médico, mas somos contra alguns itens do seu texto que invade as competências das demais profissões de saúde e passa um poder absoluto e ditatorial para uma única classe profissional subjugar as demais.

O texto original do PLS 25/02 era terrível, draconiana, ditatorial. Os médicos iriam ser dono de tudo, ou seja, todos os profissionais precisariam ser tutelados pelos médicos. Provavelmente precisariam pagar 10 a 30% de seus ganhos para seus responsáveis médicos. Deve ser uma nova fonte de renda para a classe médica. O texto é tão absurdo que recebeu críticas do Dr. Rosinha, médico deputado federal (PT-PR) e do superintendente da Rede Sarah, o cirurgião Aloysio Campos da Paz Jr. Para pegar de surpresa todos os profissionais de saúde, os senadores médicos puseram o PLS 25/02 para correr no mês de dezembro, perto do natal, depois da eleição presidencial, e com vários senadores entregando o cargo.

Os vários Conselhos Federais da área de Saúde promoveram a campanha das 500.000 abaixoassinados, acabaram entregando 1 milhão… Depois os médicos contraatacaram pegando assinaturas dos pacientes das filas de ambulatórios e hospitais públicos, dos consultórios particulares etc., e entregaram 1,5 milhão de abaixoassinados.

Tal projeto passou pela CCJC, tramitou durante 4 anos na CAS (Comissão de Assuntos Sociais), e finalmente em dezembro de 2006, para pegar de surpresa todos os profissionais de saúde, a relatora senadora Lúcia Vânia e os senadores médicos puseram para votar na CAS perto do natal, depois da eleição presidencial, e com vários senadores entregando o cargo… Além disso, para desarticular os vários Conselhos Federais e os acupunturistas, a senadora Lúcia Vânia trocou o texto, mudou de PLS 25/02 por PLS 268/02, alegando que houve consenso e apoio dos profissionais de saúde e do Ministério da Saúde.

Pegaram realmente os Conselhos desmobilizados, e assim, apesar dos esforços do CEATA, do Instituto Brasil China e do CREFITO-2, tal projeto acabou aprovado no Senado. Cheguei a mandar  através do site acupunturabrasil 150mil e-mails dos profissionais de saúde em 2 semanas!

O texto novo transforma Acupuntura em monopólio dos médicos, e além disso, extingue optometristas, tatuadores e colocadores de piercings.

Na verdade, os senadores estavam cansados deste projeto de lei polêmico e quiseram mandar o abacaxi para os deputados. E claro, a relatora Lúcia Vânia teve atuação impecável, foi homenageada pelo CFM, FENAM e AMB.

O PLS 268/02 entrou para a Câmara dos Deputados como PL 7703/06, e está na CTASP (Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público) com o relator deputado federal Edinho Bez (SC).

Em março de 2007, foi realizado em Brasília o I Fórum do Ato Médico por iniciativa do fisioterapeuta Márcio Luna com patrocínio do Stiper Brasil. A maior parte do público era de São Paulo. Tal evento serviu para unir por um mês as entidades de acupuntura de SP, e pela proximidade, acabaram descobrindo que já foi aberto o prazo de cinco dias para as emendas. Foi uma correria, as escolas de SP e o SATOSP se reuniram, fizeram vaquinha, e conseguiram mandar Eduardo Brasil do CEATA-ANAMO-CONBRAC e Fernando da EOMA para Brasília. Junto com os esforços dos demais Conselhos Profissionais, conseguimos introduzir 60 emendas.

Foi realizada uma audiência pública em abril, e agora, estamos aguardando novas discussões.

Todos os profissionais de saúde devem defender seus interesses solicitando modificação do PL 7703/06 para os deputados da CTASP. Mandem e-mails com textos diretos e curtos através do site http://www.camara.gov.br.

16. Quais são as novidades no processo de Regulamentação da Acupuntura em trâmite nas esferas estaduais e Federal?No Estado de SP, em 10/3/2006, Audiência Pública sobre o Projeto de Lei 108/2005 do deputado Said Mourad sobre a implantação da Acupuntura nos Serviço Público Assistencial do Estado de SP. Wu e Delvo Ferraz enfrentaram as manobras protelatórias e até ameaçadoras dos médicos da AMBA e CMA.

 

No Congresso Nacional
Em 2003, para substituir o PLS 67/95, arquivado, foram apresentados os seguintes  PLC (projetos de lei da Câmara) a favor dos acupunturistas: No. 1549/03, do deputado Celso Russomano (PP-SP); No. 2284/03, do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP); No. 2626/03, do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
Em 2003, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) entrou com PLS No. 480/03. Em 2005, houve rejeição por parte do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB) na CAS contrário aos acupunturistas. Felizmente, para 2007, CEATA, ANAMO e CONBRAC conseguiram novo relator, senador Flávio Arns (PT-PR), que presidiu uma reunião de trabalho convocando todas as entidades no dia 13/6. Agora, ele e os assessores estão analisando as propostas.

Quem puder ajudar na Campanha pela Regulamentação Multiprofissional da Acupuntura, mandem e-mails para os deputados da CSSF (Comissão de Seguridade Social e Família), através de www.camara.gov.br; e para os senadores da CAS, através de www.senado.gov.br.

Acompanhem as notícias sobre o Ato Médico e sobre a Acupuntura nos sites http://www.acupuntura.org.br e http://www.acupunturabrasil.org

17. No modelo atual, qual seria o caminho mais seguro a ser seguido pelo estudante ou profissional que hoje deseja ingressar na carreira de acupunturista?

Fazer um bom curso. Aprender principalmente técnicas não invasivas. Conhecer vários micro-sistemas. Há muitas clínicas particulares de Acupuntura disputando os pacientes com poder econômico. Considerando que Acupuntura é predominantemente uma técnica de manutenção da saúde e considerando que há um grande mercado ainda não explorado, os funcionários e dependentes das empresas comerciais, industriais, financeiras e prestadoras de serviço, vejo que a Acupuntura expandirá muito nos próximos anos, principalmente no atendimento às empresas, com base na nutrição, nos exercícios terapêuticos e na Acupuntura não invasiva.

Para que os médicos acupunturistas não monopolizem os pacientes, os acupunturistas devem inscrever-se nas escolas e sindicatos ativamente combativos na Campanha de Regulamentação da Acupuntura; participar ativamente da Campanha, orientando seus parentes, amigos, vizinhos e clientes.

Fonte: Jornal da Acupuntura

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